| Aumenta casos de furto de borracha natural em São Paulo (conteúdo aberto) |
|
| 25/05/2021 | |
|
Camila Gusmão O aumento da ocorrência de furtos de coágulo vem preocupando heveicultores da região noroeste paulista, maior produtora de borracha natural do país. Os casos englobam desde a perda do produto pronto para o transporte - acondicionado em caixas nas bancas - até o coágulo acumulado nas canecas. Divulgação/ Apabor Segundo o presidente da Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), Fábio Magrini, a maior incidência foi registrada na região de Barretos e Colina. “Antes, roubavam as caixas (com o coágulo) quando estavam nas bancas, prontas para serem transportadas para a usina. Agora, já tivemos roubo de coágulo que estava nas canecas. O sangrador chegou lá para trabalhar e não tinha mais nada nas canecas. Está muito esquisito isso”, afirma Magrini. Casos de furto de borracha já aconteceram há alguns anos, quando o preço da commodity estava elevado, como agora. Em 2015, por exemplo, foram registrados pelo menos 50 mil toneladas de coágulo furtadas em alguns meses no noroeste paulista. Na época, o produto era comercializado por R$ 2 o quilo, resultando em um prejuízo de cerca de R$ 100 mil. Hoje, o preço médio do coágulo em São Paulo é de R$ 4,43 por quilo, com teor de borracha seca de 53%, de acordo com o levantamento sistemático de preços realizado mensalmente pela LATEKS, empresa gestora do Borracha Natural.
Para amenizar o risco de prejuízo, Magrini orienta que as bancas onde as caixas de coágulo são depositadas, aguardando o transporte para a usina de beneficiamento, sejam instadas próximo às residências e o mais longe possível de estradas, dificultando assim a ação de bandidos. Divulgação/ Apabor “Quando acontece o roubo, infelizmente, a única coisa que se tem a fazer é o boletim de ocorrência. Mas estamos tendo problemas, já que as autoridades não estão dando muita atenção para os casos. Já aconteceu em outros anos e ninguém é punido. Parece faltar um esforço do poder público”, desabafa o presidente da Apabor. Receptação Para Magrini, o maior problema é a receptação do produto e a comercialização para o processamento, já que é um produto agrícola que precisa ser beneficiado. Diferente do que ocorre em outras culturas, o produto não está pronto para a venda direta ao consumidor. “Se há o roubo, há quem compra. O que esse pessoal está fazendo é ‘esquentando nota’. Uma usina sabe a quantidade de borracha que uma pessoa entrega. Se aumenta a quantidade de uma hora para outra, tem que verificar a nota fiscal. As usinas devem rastrear a origem do coágulo. As usinas associadas já estão fazendo isso dentro do projeto ‘Borracha Legal’, destaca Magrini. Segundo o presidente da Apabor, existem muitos ‘terceiros’ comprando coágulo no campo e vendendo para as usinas de beneficiamento, e isso pode ser a origem do problema. A Apabor encaminhou um ofício destinado às secretarias de Justiça e Cidadania e de Agricultura e Abastecimento solicitando auxílio para remediar o problema. Problema complexo Fábio Tônus é heveicultor há mais de 15 anos, com plantação no município de Paranaíba, no Mato Grosso do Sul, quase na divisa com São Paulo, e relata não ter conhecimento de casos de furto ou roubo na sua região. “A questão de roubo é muito complicada, mas já era esperada. O preço no campo subiu e, com a pandemia e o desemprego, a criminalidade aumentou, infelizmente”, lamenta. De acordo com Tônus, que é também presidente do Conselho Deliberativo da Apabor, as medidas de proteção são complexas, já que envolvem propriedades agrícolas com florestas. Porém, algumas medidas básicas de proteção podem ser adotadas, como o fechamento da propriedade com cerca e a manutenção das porteiras sempre trancadas. “Um roubo de borracha nunca se dá com uma pessoa a pé ou com um veículo pequeno, como moto ou bicicleta. Normalmente, usam um carro grande, caminhonete ou até mesmo caminhão. Fechar a propriedade para evitar o acesso de pessoas estranhas com veículos dentro da propriedade é uma das medidas protetivas que podem ser tomadas”, defende. Outra dica importante é realizar um treinamento com a equipe de sangradores para orientar que ninguém passe informações fora do ambiente de trabalho. “Normalmente, a pessoa que vai fazer o roubo tem informação privilegiada de dentro da fazenda. Assim, orientar as pessoas que trabalham na propriedade é muito importante. O contato com os vizinhos e a criação de uma rede de contato para que um possa informar o outro sobre algo suspeito é essencial. E sempre manter contato com a polícia”, explica. Por fim, Tônus ressalta que deve ser evitada a exposição. Segundo o heveicultor, uma prática muito comum é o compartilhamento de fotos nas redes sociais mostrando a quantidade de coágulo colhida e estocada para a venda.
RELACIONADAS
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.
|
| < Anterior | Próximo > |
|---|




