| Governo prorroga antidumping sobre pneus chineses para fortalecer indústria (conteúdo aberto) |
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| 28/01/2026 | |
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Decisão visa equilibrar a competitividade no mercado interno e proteger a cadeia produtiva de borracha natural Camila Gusmão O balanço de 2025 revela um cenário desafiador para a indústria de pneumáticos no Brasil, caracterizado pelo acirramento da concorrência com produtos importados. Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), pneus provenientes do exterior continuam a ingressar no território nacional com valores frequentemente inferiores ao custo de produção. No acumulado do ano, as vendas totais de pneus no mercado brasileiro registraram recuo de 3,2% na comparação ao mesmo período do ano anterior, o que representa uma redução superior a um milhão de unidades comercializadas. Reprodução/ Sentury Tyres Com o intuito de mitigar esse desequilíbrio e coibir práticas de comércio desleal, o governo brasileiro determinou a prorrogação do direito antidumping definitivo por um período de até cinco anos. A medida incide sobre as importações de pneus novos de borracha para automóveis de passageiros, de construção radial, das séries 65 e 70, aros 13" e 14", e bandas 165, 175 e 185, originárias da China. A Resolução nº 744/2025 foi publicada no Diário Oficial da União em 23 de dezembro de 2025. A Anip manifestou apoio à decisão governamental de estender a vigência desse mecanismo de defesa comercial. Rodrigo Navarro, presidente da associação, destacou que a iniciativa é fundamental para assegurar condições equitativas de competição. De acordo com o executivo, a indústria nacional opera sob rigorosos padrões de qualidade e marcos regulatórios, além de cumprir responsabilidades ambientais, como a logística reversa de pneus inservíveis. Tais compromissos, ressalta Navarro, não podem ser desconsiderados diante de práticas comerciais desleais. O dirigente reiterou que o antidumping é um instrumento legítimo, reconhecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC), para garantir a previsibilidade e a isonomia no setor. O setor de pneumáticos é considerado estratégico para o desenvolvimento industrial brasileiro, dispondo de tecnologia competitiva e capacidade instalada em todo o ecossistema produtivo. Para a Anip, a manutenção do direito demonstra o reconhecimento da necessidade de preservar a base fabril e fortalecer a economia nacional. Impactos na cadeia produtivaA retração nas vendas de pneus repercute em toda a cadeia de suprimentos, que abrange desde fabricantes de insumos químicos, têxteis e aço até os produtores de borracha natural. Esse ecossistema é responsável pela geração de mais de 500 mil empregos indiretos no Brasil. Navarro alertou que as dificuldades enfrentadas pelo setor fabril podem desencadear um problema sistêmico, com riscos de desindustrialização e redução de postos de trabalho. O impacto estende-se diretamente ao campo, afetando a sustentabilidade da produção de matéria-prima. José Fernando Canuto Benesi, presidente da Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), expressou preocupação com o atual momento da heveicultura brasileira. Benesi explica que a entrada massiva de pneus importados em condições desleais reduz o mercado para a indústria nacional e, consequentemente, provoca queda significativa na demanda pela borracha natural produzida domesticamente, afetando a sustentabilidade econômica dos heveicultores e sangradores.
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