| Indústria de pneus entrega manifesto e alerta para risco de desindustrialização (conteúdo aberto) |
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| 06/03/2026 | |
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Cadeia produtiva solicita medidas urgentes contra o avanço das importações e aponta passivo ambiental de 500 mil toneladas Camila Gusmão A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) encaminhou, nesta quinta-feira (5), ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), um manifesto multissetorial que apresenta um diagnóstico da crise enfrentada pelo setor. O documento propõe um conjunto de medidas para fortalecer a indústria nacional e conta com o apoio de mais de dez entidades representativas da cadeia produtiva, que pedem providências imediatas diante do avanço das importações de pneus no Brasil. Reprodução/ VGC Segundo a entidade, o setor enfrenta uma crise sem precedentes. A participação de pneus de passeio e carga fabricados no país no mercado de reposição sofreu uma queda acentuada, passando de 66% em 2021 para 41% em 2025. Em janeiro deste ano, o índice atingiu o menor patamar histórico: apenas 28% do mercado, enquanto os produtos importados passaram a ocupar 72% do segmento. A Anip destaca que a entrada massiva de produtos estrangeiros – frequentemente sob condições de concorrência desleal – impacta negativamente toda a cadeia produtiva, incluindo produtores de borracha natural e fabricantes de aço, insumos químicos e têxteis. O manifesto também alerta para o agravamento de problemas ambientais. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicam que, há 15 anos, parte dos importadores descumpre as metas legais de recolhimento de pneus inservíveis. De 2011 a 2025, o passivo ambiental acumulado somou aproximadamente 500 mil toneladas de pneus que deixaram de ser retirados do meio ambiente. Para o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, o cenário atual ameaça a continuidade da produção nacional. “Estamos vivendo um momento de grave risco de ruptura da cadeia de produção que pode levar à desindustrialização do setor, comprometendo a soberania nacional e a oferta de insumos estratégicos para o país”, afirma. O documento é assinado por inúmeras entidades, como a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), a Associação Latino-Americana de Pneus e Aros (Alapa), a Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Artefatos de Borracha, Pneumáticos e Látex (Fenabor) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), além de organizações ligadas à distribuição, reciclagem e produção de borracha. Perda de competitividadeO manifesto aponta como causas principais para o declínio da indústria nacional a assimetria de preços decorrente do aumento das importações, especialmente de origem asiática, com valores por vezes inferiores ao custo das matérias-primas. Outro ponto citado é a instabilidade tarifária, exemplificada pela redução temporária do imposto de importação para pneus de carga, cuja alíquota foi zerada entre 2021 e 2023. A pressão cambial e o desvio de comércio internacional também são apontados como agravantes. Países como o México elevaram o imposto de importação para 35% em 2025, o que redirecionou fluxos comerciais para o mercado brasileiro. Adicionalmente, o descumprimento das metas de logística reversa por parte de importadores gera um desequilíbrio concorrencial e ambiental. Propostas ao governo federalPara mitigar a crise, a Anip e as signatárias sugerem a adoção de medidas emergenciais, incluindo o estabelecimento de licenciamento não automático para importações, mediante análise documental rigorosa e comprovação de conformidade ambiental. O setor demanda ainda maior celeridade em investigações antidumping, o estímulo a compras públicas sustentáveis com preferência para produtos locais e o alinhamento tarifário com nações que possuem base industrial consolidada. O grupo defende, por fim, a implementação de uma política nacional de incentivo à produção de borracha natural no Brasil. Segundo Navarro, essas ações são fundamentais para equilibrar o mercado: “Com a adoção dessas medidas será possível estabelecer bases mais justas de competição, impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil”, conclui.
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