| Leilões de subvenção para borracha natural devem ocorrer ainda em abril (conteúdo aberto) |
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| 17/04/2026 | |
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Com queda de 40% na produtividade e preços abaixo do mínimo, setor aguarda leilões de subvenção para mitigar prejuízos na entressafra. Camila Gusmão O pico da safra de borracha natural no Brasil transcorre sob um cenário de severas adversidades climáticas e econômicas, atingindo duramente o noroeste paulista, principal polo produtor. Especialistas e produtores estimam uma retração de aproximadamente 40% na produtividade em função das chuvas constantes que dificultam a sangria. O setor enfrenta, ainda, a instabilidade nos preços internacionais da commodity, pressionados por conflitos geopolíticos, e pela redução na demanda da indústria automobilística nacional, o que amplia a vulnerabilidade de heveicultores e sangradores. Divulgação/ LATEKS A acentuada desvalorização do coágulo levou a Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural (Abrabor), ainda em fevereiro, a solicitar ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a execução imediata da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Para este mês de abril, estão previstos os leilões do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e do Prêmio para Escoamento de Produto (PEP). Contudo, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) informou que o orçamento inicial de R$ 22,2 milhões sofreu um contingenciamento de 20%. O preço médio do coágulo, com teor de borracha seca (DRC, dry rubber content) de 53% no Estado de São Paulo foi de R$ 4,04 por quilo em março, valor inferior ao preço mínimo de R$ 4,56 estabelecido pelo governo federal no âmbito da PGPM. Os dados são do portal Borracha Natural, da Lateks Comunicação. “O prêmio calculado pode mudar conforme a data do leilão, mas estamos prevendo que aconteça ainda neste mês de abril. A liberação do dinheiro foi realizada ontem (16). Agora, estamos providenciando os avisos para a próxima semana”, informa Gustavo Henrique Marquim Firmo de Araújo, coordenador-geral do Departamento de Comercialização da Secretaria de Política Agrícola (SPA/Mapa). A importância do subsídio é ressaltada por trabalhadores rurais que dependem do recurso para atravessar o período de entressafra, entre agosto e novembro, conhecido como “parada”, quando a produção cessa à espera das primeiras chuvas. Gisele Maria Silva, sangradora que trabalha com o marido na sangria de 4,2 mil árvores em Colina, no interior paulista, relata que o apoio governamental em safras anteriores foi determinante para a permanência na atividade. “Já participamos de leilões em 2022, 2023 e 2024 e recebemos em todos. Foi uma boa ajuda”, conta. Ela acrescenta que, diante da produção insuficiente deste ano, o valor estimado da subvenção de R$ 460 por tonelada será vital para cobrir despesas básicas durante os meses sem faturamento. “Agora, estamos aguardando os novos leilões. No nosso caso, estamos vendendo a R$ 4,10. A cada mil quilos de coágulo, receberemos R$ 460. Esse dinheiro vai ser muito importante porque ele vai vir na ‘parada’, quando a gente não tem renda nenhuma”, destaca. “O preço da borracha não está tão ruim, mas essa crise das pneumáticas, com o governo que não atendeu ao pedido das fabricantes nacionais para barrar os pneus importados da China, deixa o mercado muito instável. Teve um subsídio em 2015 e quase ninguém soube. É algo muito novo, principalmente para o seringueiro que tem menos acesso [à informação]. Em relação a esse leilão, acredito que poucas pessoas vão participar. Mas, para nós, será um dinheiro muito bem vindo, que dá para comprar um remédio, combustível, e fazer as coisas que a gente precisa no dia a dia”, afirma. Baixa procura pelo leilãoNo âmbito operacional, o mercado apresenta baixa procura até o momento, possivelmente devido à defasagem entre o preço de mercado e o mínimo estipulado. Roberto Trussardi de Almeida Prado, corretor especializado da A.Prado Agronegócios e Licitações, observa que a burocracia não deve ser um entrave para quem já possui histórico na atividade. “Não acho que a burocracia seja hoje um problema, pois quem operou no passado é só renovar os cadastros no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes (Sican). E acho importante não deixar para a última hora”, pondera. A corretora atualizou o cadastro de cerca de 30 heveicultores e sangradores para o próximo leilão. “Pode ser que o prêmio, ou seja, a diferença entre o preço mínimo e o preço de mercado, não esteja estimulando o produtor a fazer todo o processo para entrar no leilão. Vale lembrar aqui que o valor do subsídio vai depender de pesquisa de preços da Conab no mercado”, destaca Prado. A Cooperativa dos Seringalistas do Espírito Santo (Heveacoop), com sede em Vila Velha, também observa que os cooperados ainda não manifestaram interesse de participação dos leilões de subvenção da PGPM. “No caso da cooperativa, a nota fiscal emitida pela usina [de beneficiamento] é em nome da cooperativa. Esta, após deduzir os custos de comercialização, emite uma nota fiscal de compra do produtor, onde consta o preço real recebido pelo cooperado. Acontece que a Conab considera que o preço recebido pelo seringalista é aquele que consta da nota fiscal emitida para a cooperativa, com valor maior do que o preço real recebido pelo cooperado, uma vez que inclui todos os custos de comercialização. Isso acaba inviabilizando a utilização da política por produtores cooperados”, argumenta Humberto Nunes de Moraes, diretor comercial da Heveacoop. A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor), por sua vez, observa que a publicação da portaria com a previsão de recursos é um avanço, mas a efetividade da medida depende da abertura oficial dos editais de leilão. Somente após essa etapa, os produtores poderão submeter notas fiscais e pleitear a equalização de preços. A entidade, em colaboração com a Abrabor, mantém interlocução ativa em Brasília para acelerar os trâmites processuais e garantir que o socorro financeiro chegue ao campo antes do agravamento da crise do setor.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. Rev. 17/04/2026 15:45 |
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