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Governo federal anuncia leilão para comercialização de borracha natural (conteúdo aberto) PDF
07/05/2026

Apesar do anúncio de prêmios para a safra atual, os valores propostos apresentam disparidades em relação aos preços praticados no principal polo produtor.

Camila Gusmão

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicou o aviso de leilão do Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural e/ou sua Cooperativa (Pepro) no dia 5 de maio. O certame, agendado para ocorrer de forma virtual no dia 12 de maio, visa contemplar a produção, venda e escoamento de pouco mais de 61 mil toneladas de borracha natural da safra 2025/2026, com teor de borracha seca (DRC) de 53%.

Reprodução

Conab realizará leilões de Pepro e Pep para a borracha natural em maio

A iniciativa busca atender aos produtores de borracha cultivada nos estados onde o preço médio de mercado se encontra inferior ao preço mínimo estabelecido pela Portaria Mapa nº 812 (2025). Atualmente, o valor de referência definido pelo governo federal, no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), é de R$ 4,56 por quilo. O prêmio a ser pago no leilão representa a diferença entre esse valor e a média de mercado apurada pela Conab.

Neste contexto, os valores máximos de subvenção variam conforme a região: Bahia (R$ 0,26/kg), Espírito Santo (R$ 0,32), Goiás (R$ 0,17), Mato Grosso (R$ 0,41), Mato Grosso do Sul (R$ 0,46), Minas Gerais (R$ 0,76), Paraná (R$ 0,76), São Paulo (R$ 0,16) e Tocantins (R$ 0,42). O limite de participação foi fixado em 40 toneladas por Estado.

Contudo, indicadores de mercado apontam disparidades significativas nas cotações. Segundo dados do portal Borracha Natural, da Lateks Comunicação, o preço médio do coágulo em São Paulo foi de R$ 4,04 por quilo em março, valor que se situa R$ 0,52 abaixo do preço mínimo fixado pelo governo. De forma semelhante, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) aferiu uma cotação média de R$ 4,10 por quilo no mesmo período, o que representa uma defasagem de R$ 0,46 por quilo em relação ao preço de garantia.

Conab - Acesse Leilões
https://acesseleiloes.conab.gov.br/

Especialistas do setor demonstram cautela quanto à atratividade do leilão em determinadas praças devido a esse descompasso financeiro. “Eu acredito que, com esse valor, a adesão em São Paulo será mínima. Não compensa para o produtor participar. Já em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul os valores são maiores e devem gerar maior participação dos heveicultores”, destaca Roberto Trussardi de Almeida Prado, corretor especializado da A.Prado Agronegócios e Licitações.

Embora os leilões de Pepro representem um mecanismo importante de política agrícola para a sustentação da renda no campo, a eficácia da medida depende da percepção de viabilidade econômica por parte dos produtores diante das atuais condições de mercado. É o caso de São Paulo.

Valor e peso equivalentes

Em análise sobre os leilões, Heiko Rossmann, engenheiro agrônomo especialista no mercado de borracha, concorda com a avaliação de Prado no tocante à atratividade para o setor produtivo. “O valor máximo do prêmio definido para os produtores paulistas e goianos realmente não deve gerar atratividade. Parece-me uma distorção que precisa ser reavaliada e corrigida”, afirma.

Além da suposta distorção na PGPM, Rossmann alerta para um erro comum quanto à percepção do preço de venda do coágulo. “É muito comum se ouvir que participar do leilão não vale a pena porque ‘meu preço é…’. Mas preço sem o teor de borracha seca não me diz nada. Preço de coágulo deve vir sempre acompanhado do teor”, alerta.

O analista usa como exemplo o caso real do heveicultor José (um nome fictício). “O preço médio deste heveicultor foi R$ 4,60 por quilo em março. Porém, com um DRC médio de 56%. Ou seja, José vendeu o coágulo com preço equivalente a R$ R$ 4,35 por quilo e, assim, teria direito a R$ 0,11 por quilo no leilão”, explica Rossmann. “E, neste ponto, temos um papel importante das usinas de beneficiamento com a inclusão do DRC médio, peso e valor equivalentes a 53% na nota fiscal”, conclui.

 

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