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Importações de pneus avançam 81% no semestre e aceleram perda de mercado (conteúdo aberto) PDF
31/07/2026

Participação dos fabricantes nacionais no mercado de reposição cai para 29%, enquanto produtos importados passam a responder por 71% das vendas, impulsionados pelo segmento de carga

Camila Gusmão

O avanço acelerado das importações brasileiras de pneus voltou a pressionar o setor produtivo nacional no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o volume de pneumáticos oriundos do exterior cresceu 81,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, as vendas de produtos fabricados no país registraram queda de 6,8%, aponta balanço divulgado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip).

Reprodução/ ANTT
  
Pneus de carga importados respondem por 73% do mercado de reposição

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, os fabricantes nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus para veículos de passeio, comerciais leves e de carga, abaixo dos 19,1 milhões vendidos nos seis primeiros meses de 2025.

O impacto mais severo incidiu sobre o mercado de reposição, segmento no qual a presença dos itens importados vem se consolidando. As vendas da indústria nacional para esse nicho caíram 10,1%, ao passo que o fornecimento direto às montadoras permaneceu praticamente estável, assinalando ligeira retração de 0,3%.

Com esse desempenho, a participação das fabricantes instaladas no país no mercado de reposição encolheu para 29%, permitindo que os pneus importados alcançassem 71% do total vendido. O panorama revela uma inversão histórica em um intervalo de cinco anos. No primeiro semestre de 2021, a indústria nacional detinha cerca de 64% desse mercado, deixando 36% para os concorrentes estrangeiros.

A categoria de pneus de carga liderou a expansão do produto importado. Nos primeiros seis meses do ano, o ingresso desses componentes no país saltou 157,9%. Atualmente, os modelos importados já respondem por 73% do mercado de reposição do segmento de carga, restringindo a participação dos fabricantes nacionais a 27%.

Para Rodrigo Navarro, presidente da Anip, o crescimento das importações evidencia um sério desequilíbrio competitivo, com ameaça direta à sustentabilidade do parque industrial brasileiro. “Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus. O avanço das importações ameaça empregos, investimentos e a própria sustentabilidade da indústria instalada no país”, afirma o executivo.

Segundo a entidade, parcela expressiva dos pneus importados chega ao mercado nacional com preços considerados artificialmente baixos e sem o devido cumprimento de obrigações ambientais vinculadas ao recolhimento e à destinação adequada de pneus inservíveis.

Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ainda segundo a Anip, indicam que as empresas importadoras acumularam mais de 500 mil toneladas de pneus não recolhidos ao longo dos últimos 14 anos.

Setor pede medidas de proteção

Diante do cenário assimétrico, a Anip informa que aguarda a análise de pedidos encaminhados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), visando restabelecer condições de concorrência consideradas mais equilibradas.

A associação ressalta que outros mercados globais reagiram ao movimento reforçando mecanismos de defesa comercial para a indústria local. Entre os exemplos citados estão o México, que elevou a tarifa de importação de pneus para 35%, e a União Europeia, que estabeleceu alíquotas de até 45,3% sobre produtos oriundos da China.

Na avaliação de Navarro, a adoção de salvaguardas equivalentes pelo governo brasileiro é indispensável para evitar desdobramentos negativos sobre a cadeia produtiva nacional. “O mundo está intensificando as barreiras tarifárias contra pneus da Ásia para proteger suas indústrias, enquanto o Brasil segue vulnerável. Se não forem tomadas medidas urgentes, haverá desindustrialização e aumento da dependência do mercado externo, com impacto inclusive no agro, caso da borracha natural produzida aqui”, conclui.

 

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Rev. 31/07/2026 10:00 

 
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