| Pesquisas impulsionam produtividade e ampliam competitividade da heveicultura (conteúdo aberto) |
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| 13/08/2026 | |
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Avanços em genética, manejo e sustentabilidade apresentados na InterTech Agro apontam soluções para antecipar a sangria e elevar a produtividade na heveicultura Camila Gusmão A pesquisa científica paulista acelera o desenvolvimento de tecnologias para responder aos gargalos estruturais da heveicultura brasileira: elevar a produtividade, encurtar o período de imaturidade dos seringais, melhorar a qualidade do látex e aumentar a competitividade frente ao produto importado. No Estado de São Paulo, maior produtor nacional de borracha natural, os estudos são conduzidos há décadas por instituições vinculadas à Secretaria de Agricultura e Abastecimento, como Apta Regional, instituição de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA) e o Instituto Biológico (IB). Divulgação/ Lígia R. L. Gouvêa O impacto econômico das inovações é decisivo para garantir a sustentabilidade financeira dos produtores rurais em um mercado global pressionado pela oferta asiática. Segundo Elaine Cristine Piffer Gonçalves, pesquisadora científica da Apta Regional de Colina, as pesquisas abrangem toda a cadeia de valor da heveicultura. “A implantação da cultura em áreas recomendadas, a redução do período de imaturidade e a elevação da produtividade são fatores fundamentais para a sobrevivência do setor, para a expansão da cultura e para o incentivo a novos plantios”, afirma. Clones mais produtivos e precocesO melhoramento genético da seringueira (Hevea brasiliensis) figura como uma das principais contribuições científicas para o setor heveícola nas últimas décadas. Os trabalhos liderados por Paulo de Souza Gonçalves, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa agropecuária (Embrapa) lotado no IAC, em cooperação com unidades da Apta Regional, resultaram na seleção e desenvolvimento de clones de alta produtividade e adaptados às condições edafoclimáticas (solo e clima) brasileiras. Divulgação/ Elaine C. P. Gonçalves As recomendações atuais de clones priorizam materiais genéticos que combinam elevado potencial produtivo e precocidade. A antecipação do início da sangria é considerada estratégica, pois reduz o tempo de retorno do capital investido pelo heveicultor durante a fase não produtiva do seringal. O planejamento dos novos plantios é respaldado pelo zoneamento agroclimático da seringueira, uma ferramenta que orienta a escolha de áreas aptas com menor risco hídrico e fitossanitário. Adicionalmente, estudos recentes indicam que o desempenho da lavoura depende também da seleção do material propagativo. Experimentos conduzidos pela Apta Regional em conjunto com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) comprovaram que a combinação adequada entre o porta-enxerto e o enxerto pode proporcionar um ganho de até 35% na produção futura de borracha natural. Manejo para antecipar a sangriaA condução dos seringais avança com a validação de práticas culturais voltadas a acelerar o ritmo de crescimento das plantas. O emprego de irrigação, fertirrigação e nutrição mineral equilibrada reduz a fase jovem das árvores, ao mesmo tempo em que preserva a integridade da casca e a longevidade do painel de sangria. Na frente de sanidade vegetal, equipes multidisciplinares articulam pesquisas com universidades e a iniciativa privada para o manejo integrado de pragas e doenças, buscando estabelecer protocolos sustentáveis que minimizam perdas de desfolha e queda na produção. Divulgação/ Elaine C. P. Gonçalves A intensificação tecnológica é vista como pré-requisito para sustentar o setor diante do cenário internacional desfavorável. “Criar mecanismos que aumentem a produtividade, garantam precocidade e o melhor gerenciamento dos seringais só será possível com inovações. A pesquisa é de suma importância para o setor”, destaca Elaine. O Brasil consome mais borracha natural do que produz e enfrenta a concorrência de grandes países exportadores do sudeste asiático, que operam com custos de produção reduzidos e subsídios governamentais. Por outro lado, a heveicultura nacional arca com custos trabalhistas, exigências de preservação ambiental e demanda por mão de obra qualificada para a sangria, fatores que pressionam as margens operacionais. Pesquisa acompanha desafios do setorA validação de tecnologias para a seringueira exige tempo por ser a seringueira uma cultura perene e de ciclo longo. Experimentos com novos clones e sistemas de explotação exigem anos de acompanhamento antes que as recomendações técnicas possam ser difundidas com segurança para os produtores. A difusão dos resultados científicos mais recentes ocorreu durante a InterTech Agro, evento integrante da 63ª Expo Rio Preto, realizada em São José do Rio Preto no dia 7 de agosto. Promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP) com apoio da prefeitura local, o fórum reuniu pesquisadores, heveicultores e lideranças industriais da principal região produtora do estado. “Além de levar informações técnicas ao campo, encontros como esse ajudam a direcionar os próximos trabalhos científicos. A seringueira é uma das culturas de maior importância na região, e São Paulo concentra a maior produção de borracha natural do Brasil”, conclui a pesquisadora.
Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. Rev. 12/08/2026 14:15 |
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